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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O Senhor Deus educa

DIÁRIO DE CONCHITA

O SENHOR DEUS EDUCA


DIÁLOGO ADMIRÁVEL

No dia 20 de julho de 1963, Conchita teve uma notável “locução interior”.

Saindo da Igreja ela disse a um Sacerdote que teve uma forte “locução”. O Padre lhe pediu que escrevesse numa folha de papel, e ela escreveu:

- “Estava dando graças a Deus e pedindo algumas coisas. Ele ia me respondendo. Eu pedi uma cruz, pois estou vivendo sem nenhum sofrimento, apenas com o sofrimento de não ter uma cruz”.

Jesus me respondeu:

- “Eu lhe darei uma cruz”.

- “E eu com muita emoção, ia pedindo-lhe mais e mais, e Lhe perguntei: Por qual motivo acontecerá o Grande Milagre? Para converter muita gente”?

Ele respondeu:

- “Para converter o mundo inteiro”.

- “A Rússia se converterá”?

- “Também se converterá, e assim, todos amarão os Dois Sagrados Corações”.

- “E depois virá o Castigo”?

Nosso Senhor não respondeu. Conchita então perguntou:

- “Por que o Senhor vem ao meu pobre coração, que não tem qualquer merecimento”?

- “Se não venho por ti, venho por todas as pessoas”.

- “O Grande Milagre que Nossa Senhora me mostrou, somente eu irei anunciá-lo”?

- “Por teus sacrifícios e padecimentos, escolhi tu para ser a intercessora do Milagre”.

- “Senhor, não seria melhor que fosse todas as quatro meninas? Se não for da Vontade do Senhor colocar as quatro, posso Lhe pedir para não me colocar sozinha”?

Nosso Senhor disse: “Não”.

- “Eu irei para o Céu”?

- “Nos amarás muito e rezará perseverantemente aos Nossos Sagrados Corações”.

- “Quando o Senhor me dará a cruz”?

Nosso Senhor não lhe respondeu. Conchita então perguntou:

- “O que será de mim, da minha vida”?

Jesus apenas lhe disse: “Em qualquer lugar onde estiver e o caminho que tiver de trilhar, terá muito que sofrer”.

- “Vou morrer brevemente”?

- “Terá que estar na Terra para ajudar o mundo”.

- “Eu tenho poucos conhecimentos e nenhuma influência. Não posso ajudar em nada”.

- “Com tuas orações e sofrimentos ajudará o mundo”.

- “Quando se vai ao Céu, primeiro se morre”? (A pergunta de Conchita é demasiado infantil. Sua pouca cultura faz com que algumas de suas perguntas sejam extremamente simples e não corresponde ao conhecimento que deveria ter a sua idade. A resposta de Nosso Senhor foi de uma profundidade assombrosa.)

Ele disse:

- “Não se morre nunca”. (Jesus está se referindo à alma, que é invenção Divina. A ciência explica a formação humana; cada pessoa nasce com um corpo e uma alma. O corpo é fruto do relacionamento amoroso dos pais. No momento sagrado da fecundação do óvulo feminino pelo espermatozóide masculino, a alma enviada por Deus penetra naquelas células que formarão o feto, que é um ser que nascerá para a vida. Então cada pessoa tem uma parte humana, o corpo, formado pelos pais e uma parte Divina, a alma, invenção do Senhor Deus. Quando alguém morre, o corpo vai para a sepultura e se transforma em pó. A alma não morre, ela vai para a eternidade, para o Céu, voltando a Deus de onde saiu, ou para o inferno, merecendo a condenação eterna em face de uma vida repleta de transgressões. No dia da “Vinda do Senhor” [Juízo Final], os corpos dos que morreram ressuscitarão: os justos num corpo glorioso, que viverão felizes eternamente, e os maus receberão a condenação definitiva, sendo mergulhados nas trevas com satanás e seus asseclas).

Jesus também disse a Conchita, que agora existem mais pessoas que amam o Seu Sagrado Coração. E sobre os Sacerdotes, Ele pediu muitas orações para que sejam Santos e cumpram bem com os seus deveres e obrigações, dando um digno exemplo, a fim de que as pessoas sejam melhores e estimuladas a seguir o caminho do direito, da justiça e do amor fraterno, porque este é o caminho que conduz ao Pai Eterno.

Finalizando a “locução interior”, Conchita disse:

- “Quando estava nesta oração ou conversação com Deus, me sentia como se estivesse fora da Terra”!


CARTA AO PADRE MORALES

No dia 13 de novembro de 1965, Conchita escreveu uma carta ao Padre Gustavo Morales, sacerdote mexicano, fundador da Legião Branca de Nossa Senhora do Monte Carmelo, descrevendo o seguinte:

- “Hoje, sábado, numa locução interior com a Virgem Maria, na Igreja, Ela me comunicou que encontraria comigo nos Pinheirais numa Aparição especial para beijar objetos religiosos. Estava chovendo, mas não me preocupei pois estava com imenso desejo de rever a Virgem com o Menino Jesus em seus braços. Subi aos Pinheirais levando muitos Terços, para serem beijados por Nossa Senhora e depois repartidos para o povo.

Caminhando sozinha, pensava em meu coração muito arrependida de meus próprios defeitos e fazia o propósito de me esforçar muito mais, para não cair nas mesmas faltas outra vez, porque me dava vergonha e um terrível sentimento de culpa, apresentando-me diante da Mãe de Deus, sem estar dignamente penitenciada dos meus pecados. De repente Ela chegou sorridente e linda como sempre, com o Menino Jesus nos braços, chamando pelo meu nome. Eu a cumprimentei também sorridente, mas como estava mascando um chiclete, parei de mastigá-lo e o colei num cantinho. Ela reparou e me disse”:

- “Conchita, porque não deixas o chiclete e o oferece como sacrifício pela glória de Meu Filho”?

- “E eu com vergonha, tirei-o da boca e joguei-o no chão”. A Virgem continuou dizendo:

- “Relembre que Eu te disse que sofrerias muito na Terra? Pois volto a dizer-lhe, tenha confiança em Nós e ofereça com prazer aos Nossos Corações, todos os sacrifícios, em benefício de seus irmãos, porque assim, estará mais unida a Nós”.

Conchita falou:

- “Que indigna eu sou, ó querida Mãe, por tantas as Graças que recebi da Senhora. Desculpe-me minha Mãe”.

- “Conchita, não venho só por você, mas também, por todos os Meus filhos, com o desejo de aproximá-los de Nossos Corações”.

E pediu a Conchita:

- “Onde estão os Terços que trouxeste para Eu beijar”.

E Conchita entregou-Lhe todos os Terços. Entregou também um Crucifixo, que a Virgem beijou e depois disse:

- “Deve passá-lo às mãos do Menino Jesus”. Conchita entregou o Crucifixo ao Menino Jesus que o olhou com carinho e lhe devolveu. Então ela disse:

- “Esta cruz levarei comigo ao Convento”. O Menino Jesus e a Virgem Maria não disseram nada. (Pode-se compreender este silêncio persistente da Santíssima Virgem, assim como as palavras claras de Nosso Senhor, na locução interior do dia 13 de fevereiro de 1963, quando Conchita Lhe perguntou sobre a sua vocação religiosa, e Ele silenciou, como uma prova evidente de que Deus já tinha reservado para ela outra vocação, uma vocação muito particular.)

Depois de beijar os Terços a Virgem Maria falou:

- “Meu Filho, por meio destes objetos beijados por Mim, fará prodígios. Reparte-os entre as pessoas”.


UM FATO CURIOSO

No início das Aparições e até o tempo em que as quatro meninas viam e conversavam com a Virgem Maria, Conchita e as outras, quando estavam em êxtase, olhando para Nossa Senhora, observaram que com ternura Ela olhava para todas as pessoas que estavam presentes, e com um detalhe, às vezes fixava em algumas para observá-las mais minuciosamente, e sempre, com aquela satisfação de Mãe, dizia: “Todos estes são Meus filhos”. E depois perguntava:

- “Fala-me Conchita, diga-me coisas dos meus filhos! A todos guardo embaixo de Meu Manto”.

E Conchita na sua infantil simplicidade Lhe dizia:

- “Vosso manto Mãe, é muito pequeno, não cabe todos nós”.

E Nossa Senhora repleta de Amor sorriu carinhosamente, e disse:

- “Sabe Conchita, porque não vim no dia 18 de junho para dar a Mensagem ao mundo? Por que me dava pena transmiti-la. Todavia é necessário que Eu lhes diga, para o vosso próprio bem e glória de Deus, se vós a cumpris. Eu os quero muito e desejo a vossa salvação, para Nos reunirmos na eternidade, em torno do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Posso contar com você Conchita”?

- “Se eu estiver vendo sempre a Senhora, sim; em caso contrário, não sei, porque sou muito má”.

- “Tu faça o teu esforço e Nós te ajudaremos, como também ajudaremos as Minhas filhas: Loli, Jacinta e Mari Cruz”.

A Virgem ainda disse:

- “Esta será a última vez que Me verá aqui”. (Conchita não soube interpretar estas palavras de Nossa Senhora, se Ela queria dizer que não virá mais aos “Pinheirais”, ou a “Garabandal”.) A Virgem completou: “Mas estarei sempre contigo e com todos os Meus filhos”.

Depois acrescentou:

- “Conchita, porque não vai com mais frequência visitar o Meu Filho no Santíssimo Sacramento? Por que se entrega à preguiça, não indo Lhe visitar, quando Ele está esperando dia e noite”?

Estava chovendo muito e a Virgem e o Menino Jesus não se molhava. Disse Conchita:

- “Quando eu estava conversando com Eles, não percebi que chovia, mas quando eles se foram, a chuva me molhou inteiramente”. Então Conchita falou:

- “Que feliz que sou quando Lhes vejo! Porque não me leva Contigo agora”? A Virgem respondeu:
- “Lembre-se daquilo que Eu te disse, sobre o dia do teu Santo... Ao apresentar-te diante de Deus, terás que mostrar as tuas mãos cheias de boas obras feitas por ti, em favor de teus irmãos, para a glória de Nosso Deus e Criador”.

E completando a sua narrativa disse Conchita: “E nada mais aconteceu neste momento tão feliz ao lado de minha Mamãe do Céu, a minha melhor Amiga, e do Menino Jesus”. (É uma expressão usada muito frequentemente por Conchita.) Depois de um longo tempo, também Conchita deixou de vê-Los, mas não de senti-Los. (Seguramente fazendo alusão às locuções interiores que aconteciam.)

Disse Conchita:

- “A presença Deles, de novo derramou em meu ânimo uma grande paz e uma imensa alegria e uma firme disposição para vencer os meus próprios defeitos e conseguir amar, com todas as minhas forças, aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, que tanto bem quer para nós”.

“Anteriormente (agora ela está se referindo às Aparições) a Virgem me disse que Jesus mandava o Castigo não para nos aborrecer, punir e maltratar, mas para nos repreender e corrigir, porque não damos importância a Ele, e assim, o Castigo serve para nos ajudar. E o Aviso, Ele nos manda para nos purificar, para compreendermos a necessidade de mudarmos o rumo de nossa vida e sermos boas pessoas, a fim de podermos apreciar o Milagre com o qual Ele nos mostrará claramente a grandeza do Amor que tem por todos nós. E por essa razão, por ser benéfico a nós, é um grande desejo Dele que todos acolham e cumpram a Mensagem.

O Aviso será visto em todas as partes do mundo e cada pessoa sentirá no seu interior a força dele, atuando na alma como se fosse um castigo de correção. Cada pessoa verá o mal causado pelos seus próprios pecados. Penso que tudo isto será muito bom, porque será em benefício de todos. Assim sendo, as pessoas não devem se desesperar, porque estes acontecimentos serão para a nossa santificação.”


EXPERIÊNCIA RELIGIOSA

No dia 7 de fevereiro de 1966, Conchita entrou como aspirante na Ordem das Carmelitas Calçadas Missionárias de Pamplona, com o desejo de seguir a vocação religiosa. Seis dias depois, no dia 13, as palavras de Nosso Senhor foram decisivas e fortes. Depois que ela recebeu a Sagrada Comunhão na Santa Missa, no momento de dar graças a Deus, Conchita teve uma grande alegria e no mesmo momento, teve uma tristeza muito maior, uma grande desilusão. Ouviu a Voz de Jesus que lhe disse assim:

“Conchita, tu veio aqui no Colégio para se preparar a fim de ser a Minha Esposa para Me seguir? Mas tu não Me disseste que quer cumprir a Minha Vontade? Como é que agora Conchita, tu queres cumprir a tua vontade? É assim que quer seguir a tua vida? Eu te escolhi no mundo, para que estejas nele, enfrentando as muitas contrariedades que por Mim, encontrarás. Tudo isto Eu quero para a tua santificação, por isso, deve oferecer todos os sacrifícios pela salvação do mundo. Deves falar ao mundo de Maria. Fazer com que a Minha Mãe seja verdadeiramente conhecida. Recorda-te que no mês de junho, perguntou-me se seria uma monja. Eu Te disse, que em qualquer parte encontrarás a Cruz, o sofrimento, e por essa razão, volto a Te dizer agora: Conchita, você sentiu a Minha chamada para se tornar Minha Esposa, entrando numa Ordem Religiosa? Não sentiu, porque Eu não te chamei”.

Conchita perguntou a Nosso Senhor: - “Como se sente a Tua chamada para ser uma Monja”?

Jesus lhe respondeu:

- “Não te preocupes, no momento certo tu sentirás Minha chamada”.

Conchita falou:

- “Jesus, então não me queres”?

Ele disse:

- “Conchita, porque tu fazes este tipo de pergunta! Quem te redimiu? Cumpre a Minha Vontade e encontrarás o Meu Amor. Examina-te bem. Pensa mais no próximo, não te preocupes com as tentações. Se for fiel ao Meu Amor, vencerás todas as tentações. Seja inteligente naquilo que Eu te digo, inteligente espiritualmente, não oculte os olhos da alma, não se deixe enganar por nada. Ama a humildade, a simplicidade, nunca penses que o que fez é muito, pensa no que tem que fazer e no que deve fazer, não para ganhar o Céu, mas para que o mundo se converta e cumpra a Minha Vontade. Que toda alma esteja preparada, porque quem tem a alma disposta a Me ouvir, saberá qual é a Minha Vontade”.

“Quero dizer-te Conchita, antes que o Grande Milagre aconteça, sofrerás muito, pois encontrarás poucos que creiam. Tua família mesmo imaginará que você se enganou. Tudo isto Eu te digo, é para a tua santificação e para que o Mundo se converta e cumpra a Mensagem. Quero prevenir-te que o resto de tua vida será um contínuo sofrimento. Não te acovardes, no sofrimento estaremos junto de ti, Eu e Maria, a quem tanto tu queres.”

Conchita perguntou se em Roma acreditariam nela.

Nosso Senhor respondeu:

- “Não te preocupes se acreditam nas tuas palavras ou não acreditam. Eu farei tudo. Mas também te darei o sofrimento. Quem sofre por Mim, Eu estarei com ele”.

(Esta passagem aconteceu na Itália. Ela foi convidada pelo Santo Ofício para ir à Roma acompanhada de sua mãe Aniceta e do Padre Luis Luna, em janeiro de 1966. A impressão geral de Conchita sobre a viagem foi muito boa. Foi recebida pelo Cardeal Alfredo Ottaviani (que era Prefeito do Santo Ofício, agora denominado Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé) com maravilhosa afabilidade, sendo submetida a um interrogatório durante mais de duas horas. Todas as anotações foram feitas pelo Secretário do Cardeal, e ela, com muita simpatia e respeito, sempre recebeu as melhores atenções de todos. No dia em que o Papa Paulo VI concedia audiência pública, Conchita com sua mãe estavam presentes. Terminada a audiência, Sua Santidade em sua Cadeira Gestatória localizou Conchita e chamou a menina. Com voz clara e forte lhe disse: “Conchita eu te bendigo e comigo também te abençoa toda a Igreja”, fazendo o sinal da Cruz sobre ela.
  

Primeira viagem de Conchita à Itália, em Roma, no Coliseu, 13 de janeiro de 1966:
Fr. Luna, Princesa Cécile de Bourbon, Conchita e sua mãe, Aniceta.

Em fevereiro de 1968 ela foi convidada uma segunda vez para ir ao Vaticano. Agora, a convite do Cardeal Franjo Seper, sucessor do Cardeal Ottaviani no Santo Ofício. Entretanto, do encontro não foi divulgado os pormenores. Apenas ficou evidente que a Santa Sé impôs a Conchita um total silêncio sobre as Aparições.


UM NOME LIGADO A GARABANDAL

Na foto vemos o Papa João Paulo II com Joey Lomangino, fundador de “The Workers of Our Lady of Mount Carmel of Garabandal” (Os Trabalhadores de Nossa Senhora do Monte Carmelo de Garabandal), que difunde as Mensagens e as Aparições, desde 1965. Joey, é cego desde os 16 anos de idade, quando ocorreu um acidente de trabalho. Numa Aparição a Conchita, a Virgem Maria prometeu que no dia do “Grande Milagre”, ele recuperará a visão.



Joey Lomangino e Papa João Paulo II


CONTRADIÇÕES E RETRATAÇÕES

Desde o início das Aparições, a Visão anunciava que chegaria o tempo em que as meninas iam se contradizer mutuamente, uma às outras e, inclusive chegariam a dizer que nunca existiram as manifestações sobrenaturais. São as chamadas “Noites Escuras” ou “Deserto Espiritual” que também aconteceu na vida de muitos Santos famosos. As meninas com frequência comentavam que a Virgem lhes havia feito esta afirmação.

Reproduzimos alguns textos relacionados com este assunto, retirados do “Diário de Conchita”, escrito em 1963:

“Desde os primeiros dias das Aparições, a Virgem nos disse, que chegaria o tempo em que nós iríamos nos contradizer, uma às outras, que nossos pais não estavam acreditando, e que chegariam a nos dizer que tínhamos de negar que vimos a Virgem e o Anjo. E nós evidentemente estranhamos muito que fosse acontecer isto”.

Segundo uma Locução Interior que teve Loli em novembro de 1965, a Virgem Maria lhe anunciou que ela ia passar um período de muitas dúvidas.

Disse Loli: - “Ela me disse que teria de sofrer muito neste mundo, que teria muitas provas severas, que me levaria a duvidar de tudo que vi e senti, e isto, ia me fazer sofrer muito mais”.

Na Locução que Conchita teve no dia 13 de fevereiro de 1966, Nosso Senhor lhe fez uma séria advertência:

- “Te repito que terás muito que sofrer, de hoje até o dia do Grande Milagre, pois poucos acreditam nas tuas palavras. Tua família mesmo imagina que estás enganada. Mas tudo isto, sou Eu quem quero, como já disse, para a tua santificação e para que o mundo cumpra a Mensagem. Quero te prevenir que o resto de tua vida, será um contínuo sofrimento”.

Em 1963, Conchita escreveu em seu Diário: “Mari Cruz continua dizendo que ela não viu a Virgem”!

No final do mês de julho de 1961, com doze anos de idade, quando Conchita foi levada a Santander e lá permaneceu por oito dias, afirmam que ela chegou a assinar um papel dizendo que não tinha visto Nossa Senhora.

Na verdade, a história de Garabandal guardou dois períodos de dúvidas e contradições das meninas: um em janeiro de 1963 e o outro no transcurso do ano 1966.

Sobre o primeiro período, Conchita escreveu no seu Diário:

- “No mês de janeiro de 1963, tudo aquilo que a Virgem nos havia prevenido aconteceu; começamos a nos contradizer umas com as outras, até negar que tínhamos visto Nossa Senhora. E por isso, depois envergonhadas e arrependidas, fomos nos confessar, porque em nosso interior, sabíamos que tínhamos visto o Arcanjo São Miguel e a Mãe de Deus”.

Conchita ainda disse: “Eu mesma me estranhava de dizer aquelas palavras, pois minha consciência estava verdadeiramente tranquila de ter visto a Virgem e o Anjo”.

O segundo período de dúvidas, ao menos para Conchita, ocorreu durante a Quaresma de 1966. E começou com fortes tentações contra a fé, formando nela uma grande desconfiança da “presença real de Jesus Cristo na Eucaristia”. Inclusive no começo da Semana Santa, estas tentações foram tão violentas que ela deixou de Comungar. As religiosas que cuidavam da educação dela no Colégio, observando aquela momentânea transformação, se esforçaram em persuadi-la a vencer as tentações e voltar ao exercício normal da fé, ensinando-lhe, que a tentação em si não é pecado, porque não existe ainda o consentimento humano. Então, Conchita voltando a raciocinar corretamente, decidiu continuar com a prática da Sagrada Comunhão diária, apesar de enfrentar uma tenaz luta contra uma força estranha que a queria impedir.

Estas tentações contra a fé, foram seguidas de dúvidas sobre a realidade objetiva das suas Visões. Conchita se perguntava a si mesma, se não era um jogo da sua imaginação, ou se não estava sendo vítima de alguma perturbação psíquica ou mental. Na mesma época, Loli e Jacinta, em lugares distintos e a muitos quilômetros de distância de Conchita, sofreram o mesmo fenômeno angustiante, sobre a realidade das Aparições.

Posteriormente as meninas retornaram a Garabandal e no mês de agosto, decidiram comunicar as suas dúvidas ao senhor Padre Valentim. Como já mencionamos, o Padre ficou muito bravo, triste e desapontado com elas, e lhes deu muitos conselhos.

Foi realizada uma segunda entrevista de Conchita com o senhor Bispo de Santander, mas desta vez em Santander mesmo. Regressando a Garabandal Conchita revelou, que nesta ocasião teve a intenção de dizer ao Prelado a “Data do Grande Milagre” anunciado. Mas no momento em que ia dizer, “deu um branco que apagou a data no seu raciocínio”, e se esqueceu de tudo. Entretanto, logo que deixou o Palácio Episcopal, bruscamente a “Data do Grande Milagre” voltou com toda clareza à sua mente. Compreendeu então, que não era a Vontade do Senhor que ela comunicasse a data ao senhor Bispo.

Em Janeiro de 1967, o Padre Gustavo Morelos, esteve com as meninas em Garabandal. E levou uma pintura, feita pelo pintor Octavio, radicado no México, que mostra Nossa Senhora conversando com as quatro meninas, numa Aparição em Garabandal. Ao vê-la Conchita fez um gesto de prazer pelo quadro e tomando-o nas mãos, principiou a fazer algumas observações: “Que Nossa Senhora não trazia uma coroa, as estrelas que circundavam a Cabeça Dela é que iam se entrelaçando, formando o que elas denominaram de coroa. Que a Virgem não trazia cíngulo na cintura e, que mantinha a face erguida e não com a cabeça inclinada; e também, que o Escapulário Ela não o trazia sobre a mão direita”.

No dia seguinte o Padre Morelos viajou para encontrar Loli e Jacinta, e depois, mostrando-lhes a mesma pintura, Loli se aproximou e disse:

- “Padre, a Virgem que nós vimos não trazia coroa, não tinha a cabeça virada de lado, não tinha cíngulo e o Escapulário, Ela não trazia sobre a mão direita em forma de manípulo”.

Estas observações feitas por diferentes meninas a muitos quilômetros distantes uma da outra, é uma prova eloquente de que elas, em pleno período de dúvidas e negações, em seu interior levavam muito bem gravada a imagem da Santíssima Virgem Maria, que tiveram a felicidade de ver e contemplar.

Os acontecimentos sobrenaturais em Garabandal, que começaram em 1961 e terminaram em 1965, sem dúvida, oferecem uma clara e evidente percepção, de que são continuação das Aparições acontecidas em Fátima no ano 1917, e assim como, as Aparições de Nossa Senhora em Akita no Japão, no ano de 1973, nos dá a plena e total convicção de que as Mensagens, nas três Manifestações Sobrenaturais, se interligam e se completam, revelando a imensidão do Amor de Deus por toda humanidade, da mesma forma que mostra de modo impressionante, a preocupação Divina, pela falta de amor e de fidelidade da humanidade que Ele criou com tanto carinho e ternura, que redimiu e que salvou com o seu sagrado e precioso sangue.




Acabando com a descrença

DIÁRIO DE CONCHITA

ACABANDO COM A DESCRENÇA


Com a intenção de deixar bem clara e compreensível as Mensagens Divinas, a seguir são apresentadas com uma maior explicação:


O AVISO

O mundo não está preparado para receber uma graça tão especial como o “Grande Milagre”, por este motivo, Deus enviará o “Aviso” a todas as pessoas para nos preparar. Será como uma revelação de nossa consciência. Conheceremos o estado de nossa existência diante de Deus, e não teremos dúvidas de que aquele acontecimento vem diretamente do Criador. Por um pequeno espaço de tempo o mundo ficará paralisado e nenhum motor ou maquina funcionará. É muito impressionante, e representa uma séria advertência da possibilidade de ser realizado um “Castigo”, que virá, se nós não nos convertermos. Não é um efeito de origem humana, mas será um acontecimento que se verá no firmamento e ao mesmo tempo, refletirá em nossa alma, e então, revelará o estado de nosso espírito diante de Deus. Por fim, nos invadirá um imenso estado de felicidade ao saber o muito que Deus nos ama. É uma demonstração extraordinária e maravilhosa da grandeza do Amor de Deus, que quer a salvação de todos nós, os seus queridos filhos, por quem Ele derramou o seu sagrado e precioso Sangue na Cruz, para nos dar condições de vida em plenitude. Todo o mundo sentirá este fenômeno onde estiver. Ninguém morrerá por causa do “Aviso”. Quando ele acontecer, também o “Grande Milagre” estará próximo de ser realizado.

A Virgem Maria falou que antes do dia do “Grande Milagre”, muita gente deixará de acreditar nas Aparições de Garabandal, por isso mesmo, será uma grande alegria para todos, ao presenciar o retorno da fé que acontecerá, quando chegar o “Aviso” e o “Grande Milagre”. Como já foi mencionado, ele será anunciado com oito dias de antecedência pela Conchita por Ordem da Santíssima Virgem Maria. Vem diretamente de Deus. Será numa quinta-feira, coincidirá com um grande acontecimento da Igreja, e poderá ser visto de todos os lugares ao redor de Garabandal. Também coincidirá com o dia da Festa de um Santo Mártir da Eucaristia. Todos os que subirem a Garabandal, os pecadores se converterão e os enfermos ficarão curados. Este “Grande Milagre” vem mostrar a grandeza incomensurável do Amor de Deus pela humanidade. Depois ficará um “Sinal” permanente nos “Pinheirais”, como testemunho visível do Amor do Senhor, como se Ele quisesse nos lembrar a todo instante, que Ele nos ama verdadeiramente. Será como uma última grande ajuda, antes da “Purificação” universal. Todavia, se depois de tudo isto o mundo não se converter, Deus permitirá uma grande tribulação, um “Castigo” terrível, de dimensões e violência da grandeza dos pecados da humanidade.


O SINAL PERMANENTE NOS PINHEIRAIS

A Virgem Maria disse, que depois do “Grande Milagre”, deixará um “Sinal” permanente nos “Pinheirais”, como prova do imenso Amor de Deus pela humanidade. A substância do “Sinal” será de natureza desconhecida, porque é Obra de Deus, mas se poderá ver, filmar, fotografar, embora não se consiga segurar.

A semelhança do acontecimento sobrenatural que curou o povo judeu ferido de morte pelas mordidas das víboras no deserto, o “Sinal” quer representar, que ali permanecerá para lembrar aos cristãos o cultivo da fidelidade como resposta ao infinito Amor de Deus, e também, para lembrar aos fiéis que terão sempre o auxílio Divino que socorrerá a todos os fiéis. Nossa Senhora antecipou, que depois da “Purificação”, como anuncia as profecias, os fatos mais notáveis que acontecerão, serão a união de todas as Igrejas, a pregação universal do Evangelho e a conversão do povo Judeu. Uma grande paz reinará sobre a Terra. A Igreja e o mundo cultivarão tanto respeito pelas coisas de Deus, da mesma forma que as pessoas passarão a se respeitar mutuamente, uns aos outros, de uma maneira tão sincera, que hoje é impossível de se imaginar. Este será o prelúdio dos Tempos Escatológicos.


OS OBJETOS BEIJADOS PELA VIRGEM MARIA

Nossa Senhora beijou muitos objetos religiosos, como crucifixos, santinhos, medalhas, missais, que têm especial importância, porque Ela Mesma disse, que aqueles que os levarem com devoção, passarão o seu Purgatório na Terra, e disse mais: “Meu Filho, por meio destes objetos beijados por Mim, fará muitos prodígios”. Esta é a causa porque numerosas folhas de Bíblias e medalhas que foram beijadas por Ela, pela Graça de Deus, o Senhor permite que tantos milagres e curas sejam feitos pelo mundo inteiro. Muitas almas que acreditaram neste fato, têm passado o seu Purgatório nesta vida e depois da morte, a Virgem Maria os levará diretamente ao Céu.



Maria Loli, uma das videntes, levanta objetos religiosos para a virgem beijar.


A VIRGEM MARIA REALIZA PEQUENAS MANIFESTAÇÕES

No dia 17 de agosto, no mesmo horário à noite, a Virgem apareceu e disse que ia rezar o Terço com as meninas. Mas desta vez, descreve Conchita, não ficamos no “Cercado”, Nossa Senhora quis que fizéssemos a “marcha extática” e percorrêssemos, de pinheiro em pinheiro, todos os lugares onde Ela tinha aparecido, desde o início das manifestações sobrenaturais. Depois da Aparição as pessoas contavam, que as meninas pareciam que estavam com rodinhas nos pés e que todo o povo se esforçava em acompanhá-las. Uma boa parte conseguiu, mas muita gente se cansou e ficou para trás.

No inicio das Aparições, São Miguel Arcanjo dava às meninas hóstias não consagradas, que era para lhes ensinar a comungar corretamente. O jejum prescrito naquela época era de três horas.

Um dia, o Arcanjo São Miguel mandou que as meninas fossem cedo aos “Pinheirais” em jejum, acompanhadas apenas de uma menina. Aqui é necessário esclarecer que desde o início, a Virgem permitia que elas levassem uma menina como acompanhante, que no povoado passou a ser denominada “testemunha”. Era a única que podia ficar próxima às “videntes” e ouvir o que elas diziam à Nossa Senhora e ao Anjo. Aquelas que foram escolhidas para este serviço, foi Sári e Mari Carmen, irmãs da Jacinta e da Loli, respectivamente, eram muito pequenas e tinham apenas 6 anos de idade.

Assim, atendendo ao Arcanjo, as “meninas videntes” foram aos “Pinheirais” levando uma “menina testemunha”. Quando lá chegaram apareceu o Arcanjo com um Cálice de ouro, e disse: - “Vou lhes dar a Sagrada Comunhão. Estas hóstias estão consagradas. Rezem o Pai Nosso”.

As meninas rezaram e receberam Nosso Senhor Sacramentado e depois deram graças a Deus. A seguir, o Anjo mandou que elas rezassem com Ele “Alma de Cristo”. Terminada a oração o Arcanjo mandou as meninas voltarem no dia seguinte, também em jejum, para receberem a Sagrada Eucaristia. E logo se despediu delas.

Quando elas contaram a nova experiência, as pessoas não acreditaram, principalmente os sacerdotes, e eles argumentavam não ser possível porque os Anjos não podem consagrar. Eles se esqueceram, que pela Vontade de Deus, os Anjos podem entrar em qualquer Igreja, abrir o Sacrário e retirar partículas de Jesus Sacramentado, quantas quiserem!

E foi exatamente o que aconteceu. No próximo encontro, as meninas falaram ao Arcanjo, sobre a desconfiança dos sacerdotes, e ele exatamente confirmou, que tinha retirado as partículas consagradas de um Sacrário na Terra. E assim, o Arcanjo deu comunhão às meninas, por muito tempo.

Na sequência Nossa Senhora mandou que se estabelecesse o hábito das meninas irem ao “Quadrado na Calleja” a rezar o Terço, sendo acompanhadas pelo povo. Escolheram horários diferentes, considerando também as possíveis disponibilidades das pessoas. Ela queria que as meninas e as pessoas, fizessem isto por penitência, pelos próprios pecados e por aqueles que não rezam e não acreditam nas Aparições.

No dia 22 de junho, aconteceu uma surpresa.

Por motivo das meninas insistirem tanto com a Virgem Maria e com o Arcanjo, para que fizessem um Milagre, neste dia, para que o povo acreditasse nas Aparições, o Arcanjo explicou a Conchita, como ela devia proceder depois de receber a Sagrada Comunhão. Ele disse:

- “Vou fazer um milagre! Não eu, mas Deus, por intercessão Minha e da Virgem Maria”.

Conchita perguntou:

- “Em que vai consistir”?

- “Quando eu lhe der a Sagrada Comunhão, a “Sagrada Forma” será visível na sua língua”. Disse o Arcanjo.

Conchita pensou um pouco e depois perguntou:

- “Mas na Igreja, quando recebemos Jesus Sacramentado, não vemos a “Hóstia” sobre a nossa língua”?

Ele disse a Conchita:

- “As pessoas não vêem a “Sagrada Forma”. As pessoas verão a “Sagrada Forma” no dia em que o Senhor fizer o milagre que estou anunciando.

No dia seguinte, dia 19 de junho, como não havia a Santa Missa, Conchita foi rezar o Terço no “Quadrado” e depois foi rezar “Uma Estação” na Igreja. Mas antes de chegar à Igreja, o Arcanjo lhe apareceu, e como de costume, muito sorridente lhe disse:

- “Reza o Pai Nosso e lembre-se que vai receber Deus”. Logo lhe deu a Sagrada Comunhão, e a seguir, disse que ela rezasse com Ele “Alma de Cristo”. Conchita agradeceu a Deus e perguntou ao Arcanjo:

- “Quando será o milagre”?

Ele respondeu:

- “A Virgem logo lhe dirá”. O Arcanjo se despediu e partiu.

No mesmo dia à noite, veio Nossa Senhora, e como sempre, muito sorridente e bonita, falou:

- “O Arcanjo São Miguel me disse, que por intercessão dele e Minha, Deus Nosso Senhor vai fazer um milagre”.

Como Ela não disse mais nada, Conchita perguntou:

- “Quando será o milagre”?

- “Na sexta-feira dia 22 de junho, ouvirá uma voz... Então lhe pergunte”. Disse a Virgem.

Neste mesmo dia Conchita contou o fato às outras meninas: Loli, Mari Cruz e Jacinta.


CONCHITA RECEBE DO ARCANJO A SAGRADA COMUNHÃO

Chegou dia 22 de junho e Conchita em êxtase nos Pinheirais ouviu a voz que lhe disse:

- “No dia 18 de julho será realizado o Milagre, o Milagrezinho como você diz”.

Depois de saber a data, ela comunicou a sua mãe e a tia Maximina. E elas disseram:

- “Se realmente vai acontecer este Milagre, será bom para todos acreditarem de uma vez”.

Conchita esclareceu que não disse nada a respeito do assunto, a mais ninguém. Somente sabiam do fato as outras três meninas, a mãe dela e a sua tia.

Dias após, quando o Arcanjo lhe trouxe a Sagrada Comunhão, ela perguntou:

- “Quando poderei comunicar as pessoas o acontecimento do Milagre e em que ele consiste”?

- “Quinze dias antes, poderá anunciar”. Respondeu o Arcanjo.

Então, chegando o dia 6 de julho, Conchita tinha que anunciar a data do Milagre. E ela anunciou da melhor maneira, inclusive enviando pequenas cartas, como comunicados.

No dia 18 de julho o povoado estava cheio de gente, pois todos queriam ver o Milagre. A expectativa era grande. Às 22 horas Conchita teve uma chamada. Às 24 horas aconteceu a segunda chamada e às 2 horas da madrugada ocorreu à terceira, e logo em seguida, o Arcanjo São Miguel apareceu na casa dos pais dela.

O número de forasteiros presentes em Garabandal, neste dia, estava entre duas mil e três mil pessoas. O fato aconteceu assim:

Quando o Arcanjo apareceu, Conchita ficou em êxtase na parte superior de sua casa. Neste estado, desceu as escadas e saiu para a rua, girou a esquerda e caminhou até a “Calleja” e caiu de joelhos ao chão. A quantidade de pessoas que presenciavam o acontecimento era muito grande e por isso mesmo, sem maldade, na ânsia de querer ver melhor, aconteciam os empurrões e as quedas. Em completo êxtase, e com as mãos entendidas para baixo, Conchita abriu a boca e colocou a língua de fora, totalmente limpa e vazia, sem absolutamente nada. Logo, numa fração de segundos brotou sobre a sua língua a “Sagrada Espécie”. Ou seja, o Arcanjo São Miguel, colocou a Hóstia Consagrada sobre a língua de Conchita. Linda, branca e pura como a neve, do tamanho que normalmente os fiéis recebem a Sagrada Comunhão na Igreja, aparentemente um pouquinho mais grossa. Todos que olhavam puderam ver e fotografar com tempo suficiente, pois a menina permaneceu assim, com a boca aberta, mostrando a “Sagrada Espécie” sobre a sua língua, por mais de dois minutos. Um senhor de nome Alejandro Damians y Damians estava presente e foi uma das centenas de testemunhas do fato ocorrido. O nome dele está gravado nas Aparições de Garabandal porque ele fez um filme com 70 fotogramas, retratando a Sagrada Comunhão sobre a língua de Conchita. Ele com a família, tinha vindo de Barcelona para acompanhar as anunciadas Aparições em Garabandal. Primeiro filmou Conchita com a boca aberta e a língua de fora totalmente limpa. E sem interromper a filmagem, focalizou o momento em que surgiu a Hóstia Sagrada na língua dela. O senhor Bispo de Santander, D. Eugenio Beitia Aldazabal, se interessou pelo filme e escreveu ao senhor Alejandro Damians solicitando uma cópia que “podia ser de grande interesse e serviço à Igreja”. Ele enviou o filme original de presente ao senhor Bispo.



Conchita recebendo do Anjo a Sagrada Comunhão.

Assim que ela fechou a boca, ainda em êxtase, apareceu Nossa Senhora e conversando, Ela disse à Conchita:

- “Todavia, mesmo assim, nem todos estão acreditando”!

Depois Nossa Senhora mandou Conchita rezar o Terço.

A Santíssima Virgem Maria anunciou a Conchita, que Deus irá realizar o “Grande Milagre”, por intercessão Dela, para acordar a humanidade do torpor do pecado, fazendo as pessoas compreender a necessidade da conversão do coração, para que tenham a amizade de Deus e possam usufruir em plenitude, a grandeza do Amor Divino.

- “Como o Castigo é muito grande, como merecemos, também o Milagre será imensamente grande como o mundo necessita. Os enfermos que assistirem ao Grande Milagre, ficarão curados, e os pecadores se converterão”. Assim falou Conchita.


O MISTÉRIO DA DESCRENÇA

Desde o início das Aparições a Virgem dizia que as quatro meninas na sequência dos meses, iam contradizer umas às outras. As meninas ficaram assustadas e tristes, dizendo que não permitiriam tal acontecimento. Mas a Virgem confirmou, acrescentando que acontecerá que os pais delas não estarão bem, por circunstâncias diversas, e que por isso também, algumas das meninas chegarão a negar ter visto Nossa Senhora e o Arcanjo São Miguel!

Aqui devemos colocar em evidência a extraordinária “força demoníaca”, que sempre quer interferir nos planos de Deus, para confundir e destruir a humanidade. Por isso, sem que possamos entender, a misericórdia infinita do Senhor que cerca todos os acontecimentos, às vezes permite, num determinado nível, a atuação de satanás com suas insólitas tentações, de modo que o maligno ao agir, com o consentimento Divino, ensejará aparecer em plenitude à grandeza da graça de Deus, confirmando a Obra que o Senhor realiza. Foi assim que o maligno pode agir e atuar na consciência das meninas, a ponto de mudar a sua convicção interior, mascarando a realidade dos fatos que aconteceram, lançando uma terrível dúvida em seus pequenos e humildes corações. Não entendemos a profundidade da misericórdia do Senhor, como também não temos capacidade para compreender muitos mistérios de Deus. Mas, sem dúvida, toda interferência no Plano Divino, só é possível com o consentimento de Deus, que utilizará aquele recurso para a santificação das pessoas e pleno conhecimento da verdade.

Evidentemente, contribuiu de certa forma, para a descrença das meninas, o fato de suas famílias serem constituídas de pessoas muito simples, sem a mínima cultura e com pouquíssimos conhecimentos religiosos. Então, a dúvida que envolveu a mente se enraizou nos corações, acionando uma resistência contra as manifestações sobrenaturais, incidindo diretamente na consciência das meninas, as confundindo quanto à realidade dos fatos, determinando procedimentos incompatíveis com a verdade e com a dignidade que cada uma sempre revelou. Por isso, Nossa Senhora não apareceu mais às meninas por longo tempo. Ela quis dar oportunidade para que os sentimentos delas, excitados pela interferência maligna, re-integrassem à sua normalidade. Conchita escreveu em seu Diário:

- “Nós duvidamos um pouco, mas numa forma de dúvida que mais parecia à influência do demônio que queria que negássemos a Virgem”.

Conchita continua:

- “O mesmo dissemos diante de nossos pais, que não vimos a Virgem, mas que as chamadas interior e o Milagre da Sagrada Espécie na minha boca, foi verdadeiro”.

Conchita continua a falar:

- “Eu estranhava em meu interior, de ter a capacidade de dizer estas coisas, quando a minha consciência estava completamente tranquila pois tinha visto de fato a Santíssima Virgem Maria. No Confessionário, ao descrever estas dúvidas para o Padre Valentim, ele ficou tão triste, que me deu muitos conselhos e uma forte penitência de rezar dez (10) Terços e cinco Pai Nosso”.

Conchita continua a sua explicação:

- “Transcorridos alguns dias, a Virgem Maria voltou a nos aparecer. Então o pai de Loli, senhor Ceferino, que estava repleto de dúvidas, mandou trazer uma Comissão de Médicos para acompanhar o estado de saúde das meninas. Eram eles: Dr. Alejandro Gasca, Dr. Félix Gallego e Dr. Celestino Ortiz. Nesta mesma tarde chegaram os médicos e perguntaram a Mari Cruz, a Jacinta, a Loli e aos seus pais, o motivo pelo qual elas afirmavam que não tinham visto a Virgem! Ignoro o conteúdo da conversa entre eles. O que sei é que as três meninas disseram, que aquele acontecimento referente ao “Milagre da Hóstia”, quem fez fui eu, que foi arranjado! Que não foi o Arcanjo quem me deu a Sagrada Comunhão! E explicaram a seu modo, como as coisas aconteceram! Claro! Nesse tempo em que não se sabe o que se diz, lógico, se deixaram dominar pelo demônio. Desde este dia, Nossa Senhora não apareceu mais a nenhuma das três”.

Conchita teve Aparição da Virgem nesta mesma noite, e seguiu normalmente com os encontros até 20 de janeiro de 1963.

Pouco tempo depois, Jacinta e Loli voltaram à realidade, ou seja, voltaram a pensar corretamente, conseguiram se libertar da influência demoníaca, lembrando-se que de fato elas estiveram com a Virgem Maria e com o Arcanjo São Miguel.

Mari Cruz demorou um pouco mais, pois atravessou uma séria crise de desconfiança.

Na verdade, também Conchita atravessou umas “noites escuras” de dúvidas, que balançaram o seu coração. Aparentemente, não foi tão violenta como das outras meninas, mas, principalmente nasceu nela uma forte dúvida sobre o “Grande Milagre”. A tentação em todas as oportunidades invadia o seu cérebro e a deixava prostrada, com a cabeça até meio tonta, e pensando: será que vai acontecer mesmo?

Um dia, estando em casa, no seu quarto, ouviu uma voz que disse:

- “Conchita, não duvides que Meu Filho fará o Milagre”.

Disse Conchita:

- “Esta voz senti em meu interior, tão nítida, como se alguém tivesse falado aos meus ouvidos, mais claro ainda que se fossem ditas com palavras. E isto me deu uma paz tão profunda e uma alegria muito maior ainda, do que aquela paz que eu sentia quando via e conversava com Nossa Senhora pessoalmente. Quero dizer que foi uma magnífica Locução Interior, que derramou uma imensa paz no meu coração”.

Desde então, Conchita nunca mais duvidou, e somente ela via Nossa Senhora e o Arcanjo.